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31/01/2026
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O Evangelho como fator de ressocialização de presos

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Capelania prisional leva assistência espiritual e material aos detentos e a suas famílias – Imagem: Kateryna gerado com IA by Stock Adobe

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Com uma das maiores populações carcerárias do mundo, o Brasil tem cerca de 700 mil detentos em regime fechado e semiaberto. É um enorme contingente, formado majoritariamente por homens – em torno de 95% dos condenados – e que demanda políticas públicas específicas. Contudo, para a Igreja do Senhor, as cadeias nacionais constituem uma imensa seara para o evangelismo, a ação social e a solidariedade cristã àqueles que perderam sua condição de liberdade, mas podem ser alcançados pela mensagem de salvação do Evangelho.

As chamadas capelanias prisionais existem para prestar assistência religiosa a pessoas legalmente privadas de liberdade. A legislação brasileira garante aos presos direito de liberdade de culto, posse de livros de instrução religiosa e participação em cultos organizados em local apropriado, sem a obrigação da participação. Com base nisso, igrejas e organizações evangélicas semeiam a Palavra no contexto carcerário, e a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) se destaca no desenvolvimento da obra e no auxílio aos necessitados.

“Desenvolvemos um trabalho de capelania prisional de cunho evangelístico, social e assistencial”, descreve o Pr. Denys Deivison, da Igreja da Graça em Santa Rita (PB). Há mais de dez anos, ele lidera um grupo de obreiros e voluntários que atua em penitenciárias no estado, como os presídios de segurança máxima PB1 e PB2. “O que nos motiva é cumprir o papel da Igreja do Senhor, que transcende as próprias paredes.” Entre cultos, ministrações, aconselhamentos e ocasiões especiais, como o batismo de novos convertidos, Deivison afirma que os internos recebem muito bem as atividades. “Eles nos dedicam toda atenção e têm respeito pelo que é dito e pelas orações que fazemos”.

O Pr. Denys Deivison frisa que a pregação do Evangelho tem mostrado eficácia na reabilitação dos condenados – Imagem: Arquivo pessoal

Ele destaca que a pregação do Evangelho tem auxiliado na reabilitação dos presos, bem como no amparo às famílias deles. “O Estado deixa muito a desejar em termos gerais. Um ou outro preso se recupera para viver em sociedade por força pessoal, mas a pregação do Evangelho tem mostrado eficácia em sua reabilitação”, avalia. Além da mensagem da salvação, o grupo leva ajuda material aos detentos. “Uma das grandes carências desse público é em relação a itens de higiene pessoal, e levamos kits com esses produtos.” Para o pastor, não há dúvidas: “A prisão física será superada um dia. Porém, a pessoa pode estar livre das grades e, ainda assim, presa, porque a mais cruel prisão é a espiritual”.

Responsável pelo trabalho da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira realizado em presídios nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal, o Pr. Luís Carlos Magalhães é missionário no sistema prisional. Com mais de 30 anos nesse tipo de capelania, ele e uma equipe de 145 voluntários atuam em 25 unidades prisionais. “Priorizamos o trabalho no regime fechado para potencializar nossos recursos humanos, materiais e financeiros”, informa o pastor, membro da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba (PR).

A ênfase do ministério é prestar assistência religiosa e socioeducativa a toda comunidade carcerária, amparando o ser humano por meio da compaixão e graça, com intuito de alcançar os encarcerados com o Evangelho que liberta e transforma vidas. “Fazemos esse serviço amparados pela Lei de Execuções Penais, em subordinação às autoridades penitenciárias”, explica o ministro. Uma das prioridades, esclarece, é a implantação de comunidades cristãs nas unidades prisionais, sempre sob monitoramento. “As pessoas que ouvem a mensagem e desejam seguir são discipuladas e batizadas. É excelente a aceitação e, embora ninguém seja obrigado a participar, a receptividade é muito boa. Eles sempre nos procuram pedindo oração e orientação.”

Cerimônia de batismo de detentos: carências do sistema prisional são grandes, mas igrejas ajudam a suprir lacunas no amparo e na assistência aos presos – Imagem: Divulgação / Junta de Missões Nacionais

O capelão lembra que grande parte da população carcerária não tem acesso a serviços religiosos. Assim, para atender a essa demanda, são oferecidos cursos de liderança e material de estudo a internos que se destacam pelo chamado e compromisso com a Palavra, a fim de torná-los referências dentro da unidade e capacitá-los para revelar a glória do Senhor no ambiente onde estão inseridos. Por isso, Luís Carlos pontua que esse tipo de ação deve ser feito com seriedade, disponibilidade e continuidade: “O aparato legal beneficia quem anda na lei. Fazemos reuniões periódicas com a direção das unidades, bem como com os chefes de segurança e assistência social.” Esse alinhamento, garante o pastor, leva ao reconhecimento do poder que a fé tem em benefício da reabilitação da pessoa apenada. “Temos de aproveitar esse espaço para falar de Jesus!”, finaliza.

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