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05/02/2026
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Novas descobertas sobre os Manuscritos do Mar Morto

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Pesquisas recentes datam possível período de escrita do pergaminho do livro de Isaías – imagem: Byjeng / Adobe Stock

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Descobertos há quase 80 anos, os Manuscritos do Mar Morto não param de surpreender cientistas, teólogos e leitores da Bíblia Sagrada. Um estudo recente, conduzido pelo arqueólogo Marcello Fidanzio, da Università della Svizzera Italiana, revelou que o pergaminho relativo ao livro do profeta Isaías – o maior e mais completo da coleção, que mede mais de 7 m de comprimento – foi escrito, por volta do século 2 a.C., em duas seções, mais tarde unidas.

A descoberta é importante porque, mais uma vez, reforça a fidedignidade dos textos bíblicos, mesmo quando produzidos em diferentes épocas. Conjunto das mais antigas passagens bíblicas conhecidas, os manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do mar Morto, em Israel, nos anos de 1940, e incluem diversos registros posteriormente incluídos no Livro Sagrado. De todos, o rolo relativo ao livro de Isaías é o mais bem preservado.

Em parceria com o arqueólogo Hagit Maoz, do Museu de Israel, Fidanzio coordena o projeto The Great Isaiah Scroll: A Biography (O grande rolo de Isaías: uma biografia), que analisa o documento em suas características físicas, estilo de escrita e conservação. “O próprio pergaminho nos informa sobre sua bisseção preexistente e o subsequente processo de unificação”, disse Fidanzio ao jornal The Times of Israel.

Segundo o pesquisador, um dos cenários possíveis é que a primeira parte do livro, que contém os atuais capítulos de 1 a 33, são ainda mais antigos do que se supõe. A hipótese não se limita apenas à forma de escrita, mas se baseia também em dobras, padrões de colunas, marcas de escrita, costuras de reforço e níveis de desgaste. Há cinco anos, outro estudo, realizado pela Universidade de Groningen, na Holanda, já revelara pequenas diferenças de caligrafia entre as duas seções da peça. Conforme a teoria mais aceita, os Manuscritos do Mar Morto foram produzidos pela comunidade dos essênios, grupo dissidente do judaísmo que viveu na época helenística da Terra Santa e se retirou para o deserto da Judeia. Os textos ficaram desconhecidos por dois mil anos, até serem encontrados por acaso por pastores, no interior de cavernas na região de Qumran. As condições naturais do lugar, extremamente seco e às margens do lago mais salgado do planeta, colaboraram para sua preservação.

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