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30/04/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Dois pesquisadores brasileiros têm chamado a atenção do mundo científico com seus trabalhos sobre o Alzheimer. O biólogo Mychael Lourenço e o médico Wagner Scheeren Brum foram premiados internacionalmente por suas contribuições aos estudos globais sobre a doença neurodegenerativa que causa demência, perda progressiva das funções motoras e cognitivas e, em seu estado avançado, a morte.
Lourenço, que é doutor em Química Biológica e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), recebeu o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience
Research.Já Brum, doutorando em Bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),foi laureado com o One to Watch Award 2026, oferecido pela prestigiada Alzheimer’s Association, do Reino Unido. Os estudiosos têm desenvolvido pesquisas voltadas ao diagnóstico precoce da enfermidade, a fim de controlá-la antes que cause danos irreversíveis ao paciente.
Brum e Lourenço propõem abordagens a partir da dinâmica dos marcadores biológicos – indícios de predisposição ao quadro que podem ser identificados muito antes do surgimento dos primeiros sintomas. Determinadas proteínas estão presentes no sangue de quem é acometido pelo Alzheimer,mas o desafio é sua correta identificação em tempo oportuno. “Estamos tentando pegar essa janela em que a doença está se desenvolvendo, mas os sintomas ainda não apareceram tão claramente”, disse Mychael Lourenço à Agência Brasil. “Talvez, nunca se consiga curar o paciente em estágio muito avançado,mas podemos conseguir interromper a doença antes disso”, declarou.

Por sua vez, Wagner Brum tem desenvolvido protocolos para implementação clínica de um tipo de exame de sangue capaz de diagnosticar Alzheimer a partir de uma proteína específica. Segundo ele, boa parte dos pacientes apresenta uma incidência média desse marcador, o que, até agora, era insuficiente para identificar o “gatilho” da doença.O exame adicional, proposto pelo pesquisador, é capaz de suprir essa lacuna.
Os dois testes precisos já existentes são o exame de líquor, feito com material extraído da medula espinhal, e a tomografia por emissão de pósitrons (PET) – ambos caros e pouco acessíveis. Brum conta que começou a se interessar pelo combate ao Alzheimer ainda na adolescência, quando viu a avó perder progressivamente as memórias e as capacidades mentais. “Receber esse prêmio é uma grande honra e mostra que pesquisadores brasileiros podem contribuir ativamente para avanços científicos que têm impacto global”, discursou ao receber o prêmio, em fevereiro, em Manchester (Inglaterra).
Já o bioquímico Mychael Lourenço interessou-se pelo estudo da doença de Alzheimer – patologia identificada em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer – desde sua graduação. A partir de então, aprofundou seus conhecimentos no mestrado e no doutorado e assumiu a docência, ao mesmo tempo em que fundou um laboratório e um grupo de pesquisas dedicado às diferentes formas de demência.





