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10/06/2026

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Surto de ebola na África preocupa o mundo

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Operação simula atendimento à vítima do ebola: crescimento do surto na África preocupa o mundo – Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil

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Recentemente, a possibilidade de duas pessoas no Brasil terem contraído o vírus ebola, após retornarem da República Democrática do Congo (RDC) e de Uganda, acendeu o sinal de alerta do Ministério da Saúde. O novo surto da doença, altamente infecciosa, tem preocupado autoridades desde abril, quando as notificações começaram a escalar na nação congolesa. Até o fim de maio, aquele país registrou cerca de 500 casos, com pelo menos 50 mortes confirmadas e outras cem suspeitas. A atual epidemia, que é a 17ª desde a catalogação do ebola e a terceira mais grave, tem superado a capacidade de resposta sanitária local e apresenta o risco de se espalhar por países vizinhos.

O atual subtipo da enfermidade, chamado Bundibugyo, uma variante do gênero Orthoebolavirus,iniciou sua onda de vítimas pela RDC e entrou no radar da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela velocidade de expansão do surto. O grande problema é que ainda não há vacina ou tratamento antiviral contra a nova cepa. Seis anos após a covid-19, que deixou quase 8 milhões de mortos em todo o mundo – em torno de 700 mil no Brasil –, a OMS já estabeleceu situação de emergência de saúde pública na República Democrática do Congo e em Uganda.

O ebola recebeu esse nome por ter sido identificado pela primeira vez em habitantes da região do rio Ebola, na atual República Democrática do Congo. A doença provoca grave febre hemorrágica que ataca o sistema imunológico, danifica os vasos sanguíneos e provoca falência múltipla de órgãos. O principal vetor do vírus na natureza é uma espécie de morcego, embora grandes símios, como chimpanzés e gorilas, também possam ser portadores do agente infeccioso. A transmissão entre pessoas ocorre pelo contato com sangue, tecidos, fluidos corporais, fezes ou vômito do indivíduo contaminado. A letalidade se situa entre 50% e 90% dos casos.

Afetada por grave crise econômica e conflitos entre forças do governo e grupos rebeldes que mantêm o país em permanente instabilidade, a República Democrática do Congo encontra dificuldades para controlar as infecções e o tráfego de pessoas que entram e saem do seu território. A agência de saúde da União Africana monitora 1,1 mil casos suspeitos nas duas nações. Os ministérios da Saúde da RDC, de Uganda e também do Sudão do Sul adotaram um programa de emergência orçado em 320 milhões de dólares (aproximadamente 1,6 bilhão de reais).

No fim de maio, os dois casos suspeitos investigados no Brasil de pacientes com sintomas para doenças infecciosas, como febre, dores e tosse, foram descartados para ebola e diagnosticados com malária e meningite. Entretanto, como o quadro de um deles é considerado grave, ambos seguiam em observação até o fechamento desta matéria. Simulações de atendimento a infectados têm sido realizadas no país para a eventualidade de confirmação das ocorrências em território nacional.

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