
‘Questão de escolha’: a graça que restaura
08/08/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Para muitos pais, a vida contemporânea traz um desafio diário. Aquilo que, até gerações passadas, era habitual – a convivência entre a família na hora das refeições, do descanso e do lazer – torna-se cada vez mais distante. Hoje, é bastante comum os homens estarem envolvidos em uma série de compromissos e atividades que, mesmo sem perceber, subtrai aquilo que educadores e profissionais do comportamento chamam de tempo de qualidade. Trata-se do momento que o pai ouve seu filho, participa de atividades em sua companhia – e, sobretudo, no caso dos cristãos, passa tempo de oração em família, exercendo influência espiritual sobre os filhos.
No momento em que se celebra o Dia dos Pais, muitos chefes de família buscam o melhor presente: estar presente. Afinal, a referência masculina na vida dos filhos é fundamental para a segurança e a autonomia deles desde os primeiros dias de vida. Conforme a pesquisa da Northwestern University, nos Estados Unidos, um pai presente dá suporte emocional, gerando confiança para a criança explorar novos ambientes. É também o afeto paterno que fortalece a autoimagem e o equilíbrio emocional da criança. Além disso, interações e brincadeiras ensinam, desde pequenos, a administrar os próprios sentimentos e a lidar com frustrações.

No contexto da fé, a Palavra de Deus fala que a bênção dos pais é fundamental para a vida dos filhos. Conforme Provérbios 20.7, o justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele. “Os pais têm a missão de formar pessoas”, sintetiza o engenheiro Vinicius da Silva Soares, casado com Ruth e pai de João Pedro, de 20 anos, e Heloísa, de 9. Ele conhece bem as demandas da vida moderna – suas atividades profissionais o levam a constantes deslocamentos pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro, supervisionando e executando projetos, até mesmo em eventuais fins de semana. “O primeiro passo foi entender que família é prioridade; logo, evito distrações que consomem meu tempo. Ser pai é negar a si mesmo, e isso não é pesado quando estamos firmados em nosso propósito.”
Membro da Igreja Missionária Evangélica Maranata, Vinicius e sua família são bem envolvidos com a obra do Senhor, mas ele procura ter disciplinas. “Evito levar os problemas do trabalho para dentro de casa e não assumo demandas na igreja que ocupem meu tempo com eles”. Ao chegar à sua casa, antes de qualquer coisa, o engenheiro vai falar com os filhos. Como a diferença de idade entre eles é grande, é preciso respeitar a individualidade e o nível de maturidade de cada um. “Sempre deixo claro para eles que nossas escolhas geram consequências positivas ou negativas”, explica. Por isso, não abre mão da pipoca no sofá, das pizzas à mesa, dos passeios e de tudo o que fazem juntos. “Nossa liderança espiritual sobre nossos filhos acontece naturalmente quando estamos em Cristo. Ela é fruto de quem nos tornamos no Senhor.”

Experiência semelhante tem o pastor Carlos Roberto da Silva, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) na região de Jundiaí, no interior paulista. “Acredito firmemente na bênção descrita no Salmo 133: é na nossa união que a bênção é derramada”. E isso, claro, aplica-se à sua família. Carlos é casado com a também pastora Thais Benevente e pai de Teodora, de 13 anos, e Luis, de 10. Como o casal é bem ocupado – eles dirigem regionais da Igreja da Graça, participam de programas e gravações, lideram os ministérios Homens que Vencem (HQV) e Mulheres que Vencem (MQV) e fazem muitas viagens ministeriais -, a solução para salvaguardar o convívio com os filhos é simples: levá-los também sempre que possível. “A gente faz de tudo para mostrar a eles o valor dessa proximidade.”
Carlos cita o texto de Efésios 5.15,16 como uma grande lição. “Ali, o apóstolo nos ensina a remir o tempo, a aproveitá-lo com sabedoria”, destaca. “Sem medo de errar, creio que, hoje, o maior desafio do homem, que é pai, é a busca por dinheiro, segunda renda, sucesso e conquistas. Isso tem atrapalhado a figura paterna dentro de casa”. Por isso, ele age para ensinar aos filhos o valor da oração e das práticas devocionais. “Por mais corrida que seja a vida, a gente tem de trazer nossos filhos para perto de nós. Se não formos referência, eles vão buscar essa referência nas redes sociais e fora de casa.”

No caso do cabeleireiro Gerson de Brito Barros, levar a filha Kayline, de 20 anos, para trabalhar com ele no salão que mantém em Natal (RN) foi a solução parcial para a necessidade de convívio com a prole – que, no caso dele, é mais numerosa do que a média das famílias atuais. Além da mais velha, Gerson e sua esposa, Marly, têm ainda Athos, de 12 anos, Heloísa, de 6, e o pequeno Anthony, com 4 anos. A fé dos filhos tem sido bem desenvolvida nos cultos e nas atividades da Igreja da Graça, a qual a família frequenta com assiduidade. Mas, para Gerson, isso não basta. “De manhã, levo-os à escola. Fazemos brincadeiras, orações e lições juntos, em casa”. Isso, claro, além de bastante conversa, na qual a confiança e o amor entre ele e os filhos se solidifica, e assim, revela-se mais sobre o Senhor, o supremo Pai. “É muito gratificante ser pai na presença de Deus; Ele nos ensina a caminhar em Sua presença com os nossos filhos”, afirma o empresário.





