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19/08/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Uma das maiores preocupações educacionais dos nossos dias é definir o tempo adequado para crianças e adolescentes passarem diante das telas de smartphones, tablets e outros equipamentos do gênero. Contudo, essa demanda pode ter mais a ver com o estresse parental do que com o comportamento dos pequenos, propriamente dito. Essa foi a hipótese levantada por um estudo realizado por pesquisadores da área de Psicologia da Florida International University, nos Estados Unidos (EUA).
O trabalho entrevistou 822 responsáveis por menores entre quatro e oito anos de idade e teve como foco a maneira como cada família administra a complicada relação entre as crianças e os limites no uso de mídia digital. A questão tem levantado inúmeras discussões envolvendo famílias, educadores e profissionais ligados ao comportamento infantojuvenil. Outra pesquisa nacional realizada nos EUA descobriu que 70% dos pais admitem que esse aspecto é uma das principais fontes de estresse familiar.
No momento em que quase todas as crianças norte-americanas usam ou veem telas todos os dias e quase metade delas já têm seu próprio tablet, o tema ganha importância. Aqui no Brasil, o quadro é semelhante: o acesso digital é praticamente universal entre crianças e adolescentes na faixa dos 9 aos 17 anos com média de três a quatro horas diárias , independentemente de classe social ou da região em que vivem.
Na pesquisa dos psicólogos brasileiros, os resultados sugerem que os pais que apresentaram níveis elevados de estresse parental são, justamente, aqueles que impõem menos limite para o uso de telas pelos filhos. Já aqueles que se sentem mais pressionados pelo temperamento ou pelo comportamento desafiador das crianças tendem a entregar um aparelho para evitar esse tipo de confronto.
O trabalho aponta como caminho a elaboração de um plano de ação familiar, com participação de todos os envolvidos, que estabeleça quantidade de tempo e horários para o uso de smartphones e de internet. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que, até dois anos de idade, crianças não devem ter contato algum com telas, exceção feita a breves conversas de vídeo com pessoas da família. Já dos dois aos cinco anos, a recomendação é de, no máximo, uma hora por dia, tempo estendido para duas horas na faixa etária dos seis aos dez anos e, em todos os casos, com conteúdo autorizado e sob supervisão dos pais ou responsáveis..





