
Avança no Senado projeto que beneficia pessoas com autismo
11/03/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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O final de fevereiro foi marcado pela tragédia na Zona da Mata mineira. Com um volume de chuvas acumulado de quase 800 milímetros – maior índice da história na região e quatro vezes o esperado para todo o mês –, houve desabamentos, inundações e um rastro de destruição nunca antes visto por lá. Diante da urgência e das necessidades de muitos desabrigados, a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) se mobilizou para prestar auxílio às comunidades atingidas.
Os números das enchentes chocaram o país: foram 72 mortos e mais de 8,5 mil desabrigados e desalojados. As cidades mais atingidas foram Juiz de Fora e Ubá. Algumas famílias perderam vários membros de uma única vez. De acordo com os bombeiros envolvidos nas ações de socorro, as vítimas na região tinham idade entre 2 e 79 anos. Serviços essenciais foram interrompidos, e vários bairros, sobretudo nas áreas mais afastadas, permaneceram isolados por dias.

Enquanto Ubá e Juiz de Fora entraram em estado de calamidade pública, diversas cidades foram afetadas: Barão de Monte Alto, Caparaó, Divinésia, Leopoldina, Muriaé, Matias Barbosa, Pequeri e Viçosa, entre outras. Foi somente nos primeiros dias de março que a situação se estabilizou. Mais de 50% das atividades comerciais na região foram prejudicadas, e a infraestrutura sofreu abalos, com várias pontes destruídas pela força das águas. Nas áreas agrícolas, produtores ficaram ilhados, perderam animais e lavouras inteiras.
“Conheço essa região há muitos anos e, em toda minha vida, nunca vi tamanha tragédia na cidade”, resume o Pr. Aderson Ferreira, dirigente da Igreja da Graça em Juiz de Fora. Ele relata que, no domingo, 23 de fevereiro, os irmãos estavam no culto da noite quando começou uma chuva muito forte. “Aquilo nos assustou. Já na segunda, desandou tudo. Humanamente falando, foi uma situação desesperadora.” Aderson conta que muitos membros da Igreja ficaram vários dias sem poder chegar ao templo, devido a deslizamentos próximos às suas casas e à falta de transporte. “Foi desesperador ver tanta gente clamando por socorro e misericórdia.”

No meio de tanta tragédia e dor, a força da solidariedade, mais uma vez, mostrou-se como um bálsamo. Correntes de ajuda humanitária logo se formaram, com a participação de diversos órgãos públicos e privados. Os membros da IIGD se uniram para auxiliar nessa causa. “Temos dado um suporte a essas pessoas com alimentação, kits de higiene pessoal e outros itens”, destaca o pastor. Nos 19 templos da Igreja da Graça na região – quatro deles em Juiz de Fora –, foram feitas arrecadações de donativos, e equipes dos ministérios Homens que Vencem e Mulheres que Vencem se mobilizaram para ajudar os flagelados.
O Pr. Gideone Camargo, da Igreja da Graça em Ubá, foi um dos que organizou auxílio imediato. A cidade foi fortemente impactada pelo desastre: “Parecia uma zona de guerra, tudo destruído. O centro comercial acabou”, lamenta. O templo, sem água ou energia, ficou inativo nos primeiros dias da cheia e, por pouco, não foi atingido – um edifício, a 30 metros de distância, desabou. “Muitos de nossos membros perderam tudo”, descreve o líder. “Casa, carro, tudo. Ficaram só com a roupa do corpo. Inúmeros estão em casas de parentes.” Mesmo com todas as dificuldades, a Igreja se tornou um ponto de apoio para a comunidade e as vítimas das enchentes. “Ajudamos os comerciantes com trabalho braçal de nossos voluntários.” Houve entrega de água potável, cestas básicas e material de limpeza. “A Igreja da Graça está em ação”, resume o Pr. Gideone.





