
Desastre no Nepal e Tibete mobiliza buscas e orações
31/08/2026Por André Santiago, do Ongrace

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Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Amarelo amplia as discussões sobre a prevenção ao suicídio e a importância dos cuidados com a saúde mental. A mobilização também chama atenção para uma realidade nem sempre percebida com facilidade: pessoas que enfrentam intenso sofrimento emocional podem continuar trabalhando, estudando, cuidando da família, frequentando a igreja e mantendo, aparentemente, uma rotina normal.
Segundo a psicóloga clínica Danielle Mendonça Degani da Silva, que também atua no Projeto Graça em Ação, mudanças de comportamento podem servir como sinais de alerta. Isolamento, irritabilidade, tristeza persistente, perda de interesse por atividades, alterações no sono ou no apetite e demonstrações de desesperança merecem atenção, especialmente quando acompanhados de frases como “não aguento mais” ou “queria desaparecer”.

“Existe uma diferença entre estar funcionando e estar bem. Muitas pessoas aprenderam a ser fortes, cuidar de todo mundo e esconder aquilo que sentem”, explica Danielle. Para a psicóloga, é necessário ir além do habitual “tudo bem?” e demonstrar verdadeira disposição para escutar. “Nem todo sofrimento pede socorro em voz alta. Alguns pedem apenas que alguém perceba.”
Fé e cuidado
No ambiente cristão, a psicóloga também alerta para o perigo de relacionar transtornos como ansiedade e depressão exclusivamente à “falta de fé”. Essa interpretação pode aumentar o sentimento de culpa e levar a pessoa a esconder o sofrimento ou não procurar acompanhamento adequado. “A fé pode ser uma fonte maravilhosa de força e esperança. Mas ela não deve ser utilizada para negar ou diminuir o sofrimento psicológico”, afirma a profissional. “Buscar ajuda profissional não significa falta de fé. Significa reconhecer que existe uma dor que precisa de cuidado.”
Nesse contexto, Danielle destaca que a igreja local pode ser uma importante rede de apoio, oferecendo acolhimento, oração, escuta, pertencimento e companhia. O cuidado espiritual, entretanto, não deve substituir o atendimento psicológico ou médico.

Portanto, para a profissional, os diferentes tipos de cuidado podem caminhar juntos, respeitando os limites de cada área e, principalmente, enxergando a pessoa para além de um diagnóstico. “Antes de ser ‘ansioso’, ‘depressivo’ ou qualquer outro rótulo, existe uma pessoa com uma história, com relações, sentimentos e uma dor que precisa ser compreendida”, ressalta Danielle.
Ao identificar que alguém próximo não está bem, a orientação é se aproximar sem julgamentos. Danielle ressalta que nem sempre é necessário apresentar soluções ou conselhos, e demonstrar disponibilidade para ouvir pode ser o mais importante naquele momento. Além disso, frases que diminuam a dor do outro (como “isso é bobagem”, “você precisa ser forte”) ou comparações com problemas de outras pessoas devem ser evitadas.
Em um mês dedicado à conscientização e à prevenção, a mensagem reforça também a responsabilidade de olhar com mais atenção para quem está ao redor. Como resume Danielle: “Cuidar da saúde mental é, acima de tudo, cuidar da vida.”





