
Após anos de dores, mulher volta a movimentar os braços durante oração em Jundiaí (SP)
25/08/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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O El Niño, que já está em formação no Oceano Pacífico, pode causar extremos climáticos sem precedentes atuais em várias partes do mundo — em especial, no Brasil. O alerta é de organismos internacionais especializados em clima, como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, sigla em inglês). Segundo os dados já coletados, o aquecimento periódico das águas do Pacífico Equatorial tem chances elevadas, da ordem de 90%, de atingir forte intensidade entre outubro deste ano e janeiro de 2027, tornando-se um dos maiores eventos do gênero, registrados desde 1950. Já se espera que a temperatura na superfície do oceano seja superior a 2 graus, suficientes para alterar o clima em todo o planeta.
Devido à sua posição geográfica, o Brasil sofre forte impacto do fenômeno. Com o aquecimento do mar, as correntes úmidas que percorrem a América do Sul de oeste para leste perdem a intensidade, causando secas nas regiões Norte e Nordeste, ao passo que ocorrem volumes pesados de chuva no Sul e calor intenso no Sudeste e Centro-Oeste. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, declarou que o atual ciclo vai “jogar combustível em um mundo já aquecido”. Estudiosos temem que 2027 se torne o ano mais quente já registrado.
O Super El Niño, como tem sido chamado, mobiliza especialistas brasileiros. Entidades como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e as defesas civis estaduais têm cooperado entre si com troca de informações e planejamento de ações coordenadas, em caso de emergências. Os sistemas de alerta digital e disparo de sirenes em localidades mais vulneráveis também têm sido aperfeiçoados. Em média, o fenômeno dura de 9 a 12 meses.
O último El Niño de forte intensidade ocorreu entre 2023 e 24, e provocou meses de estiagem no Nordeste brasileiro e as enchentes no Rio Grande do Sul, as mais trágicas da história gaúcha. O fenômeno também tem forte impacto econômico. Além das perdas financeiras e humanas decorrentes de tragédias, como cheias e deslizamentos, há danos sobre a infraestrutura (estradas e geração de energia, por exemplo) e perda ou redução de safras agrícolas, que dependem diretamente do regime regular de chuvas e de temperaturas e radiação solar estáveis.





