Pode parecer contraditório dizer que somos merecedores de castigo e ainda falar do cuidado de Deus. A verdade é que devemos considerar positivo o fato de sermos corrigidos por Ele, porque a Sua repreensão é semelhante à de um pai para o filho, a qual tem como objetivo reconduzi-lo ao bom caminho: Confessa, pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o Senhor, teu Deus (Dt 8.5). Aqueles que conhecem o coração do Criador pedirão a Sua correção, pois Ele é misericordioso e bom.
Quando Davi errou ao realizar o recenseamento do povo, Deus lhe propôs três coisas: Veio, pois, Gade a Davi e fez-lho saber; e disse-lhe: Queres que sete anos de fome te venham à tua terra; ou que por três meses fujas diante de teus inimigos, e eles te persigam; ou que por três dias haja peste na tua terra? Delibera, agora, e vê que resposta hei de dar ao que me enviou (2 Sm 24.13). Cuide-se para fazer apenas o que o Senhor ordenou!
A resposta do rei de Israel foi sábia e agradou a Deus. Davi respondeu a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu (2 Sm 24.14). A proposta do Céu foi difícil de suportar, pois eles estavam sob a Lei de Moisés. Hoje, a direção do Altíssimo é: arrependimento e confissão de pecados (1 Jo 1.9).
O Senhor nos orienta a disciplinar os filhos quando eles errarem: O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga (Pv 13.24). Isso não significa que você tem de pegar uma vara e açoitá-los – a vara é a Palavra revelada, que os endireitará. A conversa deve ser franca e usada no temor a Deus, para que eles não se desviem dos retos caminhos.
Ser castigado pelo Altíssimo só faz bem. Afinal, ao errarmos, nós nos desligamos do Senhor e, sem essa comunhão, ficamos nas mãos do diabo. Deus não usará de violência para lhe ensinar, apenas mostrará o seu erro, e, tendo se arrependido, você será envolvido pelo amor divino. Então, a sua comunhão com Ele será restabelecida. Deixar de confessar a sua transgressão o impedirá de ser restaurado à presença do Senhor.
O povo resgatado do Egito se desviou dos retos caminhos e, por isso, merecia ser repreendido. Eles queriam que suas filhas fossem castigadas. Porém, Deus disse: Eu não castigarei vossas filhas, que se prostituem, nem vossas noras, quando adulteram; porque eles mesmos com as prostitutas se desviam e com as meretrizes sacrificam, pois o povo que não tem entendimento será transtornado (Os 4.14).
O profeta Jeremias assumiu o lugar do povo que não vivia segundo a Palavra, dizendo que Deus deveria castigá-lo: Castiga-me, ó Senhor, mas com medida, não na tua ira, para que me não reduzas a nada (Jr 10.24). Quando praticarmos algo fora das Escrituras, temos de agir como Deus esperava de Israel. Na Nova Aliança, o Senhor perdoa!
Em Cristo, com amor,
R. R. Soares