Que ousadia de Elifaz dizer diante de Deus que Jó não era sincero, reto e temente ao Senhor! Há pessoas que nos surpreendem, pois se dizem amigas, mas se aproximam apenas para apontar o dedo em nossa direção, acusando-nos de coisas que os perfeitos olhos do Altíssimo não viram, porque, na verdade, nem existem. Não é de hoje que tudo se torna testemunha contra nós. Por que agem desse modo se nada fizemos?
Posso imaginar como Jó ficou quando ouviu as palavras duras de alguém que se dizia seu amigo e fora consolá-lo, mas o acusou de atitudes que ele não havia cometido. Ora, o ser humano é o mesmo de sempre: ao ver alguém bem-sucedido, honesto e honrado, não perde a oportunidade de tentar desmoralizá-lo. Será que o Senhor resolveu relevar as ações de Jó? Não, porque Deus é perfeito!
O que Elifaz fez deve servir de exemplo para nunca errarmos, mesmo que ninguém saiba da nossa falha. Por quê? Primeiro, temos de honrar o Nome do Senhor. Segundo, se pecarmos, devemos nos confessar, a fim de sermos perdoados por Deus. Não podemos aceitar nenhuma proposta para agir de maneira incorreta. Jamais devemos sair da presença de Deus para agradar ao diabo.
Elifaz chamou Jó de agiota sem coração, culpando-o por não perdoar as dívidas dos irmãos necessitados. Ele estava se referindo ao ano da remissão: Este, pois, é o modo da remissão: que todo credor, que emprestou ao seu próximo uma coisa, o quite; não a exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada (Dt 15.2). Porém, naqueles dias, não existia a Lei de Moisés.
Os que gostam de acusar sempre descobrem um meio para falar mal dos servos de Deus. O Senhor, que é santo, alegra-Se em ver os irmãos vivendo em união (Sl 133.1). O cristão nunca deve se envolver em fofocas e assuntos que escandalizam e dão aos perdidos munição para desviarem a quem está se preparando para entrar no Reino dos Céus. A declaração de Deus para Jó, afirmando que o profeta era sincero, acabou com a mentira (Jó 1.8).
Ainda assim, Elifaz condenou aquele que o Altíssimo justificou. Que direito ele tinha de persistir na mentira? Quando uma declaração vem do Pai celestial, não há como contradizê-la, a menos que queiramos enfrentar o julgamento do último Dia (2 Co 5.10). Podemos até nos indispor com alguém, mas, quando ouvirmos do Céu que aquela pessoa já se acertou com Deus, temos de retirar a nossa queixa contra ela e até o desejo de vê-la condenada!
Se não concordamos com Deus, que é puro e justo, enfrentaremos a Sua ira. Não podemos deixar que o engano prevaleça em nossos lábios. A hora da acusação deve ser substituída pelo diálogo. E, vendo a sinceridade do outro, o perdão deve ser a nossa resposta.
Em Cristo, com amor,
R. R. Soares