
O papel das igrejas na inclusão
28/11/2025Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Um artigo publicado pela jornalista, teóloga e pesquisadora cristã Rebecca McLaughlin chamou a atenção para um tema que tem sido cada vez mais estudado: a relação entre a prática religiosa e saúde mental. Em seu trabalho, intitulado ‘A igreja pode salvar sua vida’ e divulgado no Worldview Bulletin — publicação virtual dedicada ao evangelismo, à sociedade, à apologética, à cultura, à fé e à ética cristã —, a autora, que vive nos Estados Unidos, apresenta pesquisas que demonstram como uma vida espiritual favorece o bem-estar emocional.
Um dos exemplos citados é a pesquisa publicada na revista médica Journal of the American Medical Association. O estudo indica que pessoas que frequentam cultos habitualmente tendem a viver mais que aquelas que não seguem qualquer crença. Além disso, foi constatada a redução de níveis de depressão, melhor recuperação de traumas psicológicos e mais sensação de sentido para a vida entre aqueles cuja rotina está ligada à fé. “Fica cada vez mais claro que um dos principais fatores da crise de saúde mental é a queda na frequência à igreja”, aponta a articulista.
Rebecca vai além. Segundo ela, ir à igreja semanalmente é uma das melhores proteções contra depressão, tristeza e ideação suicida. A afirmação é fundamentada em uma análise de estudos de 2022: “Observou-se uma redução em torno de 33% nas chances de depressão subsequente para aqueles que frequentam cultos ao menos semanalmente, em comparação aos que não frequentam”. E conclui: “Em outras palavras, se você começar a frequentar uma igreja semanalmente, reduzirá em um terço suas chances de desenvolver depressão”.
Assim, menores sintomas depressivos, hábitos mais saudáveis, rede de apoio social e maior otimismo aparecem como efeitos associados à vivência religiosa, influenciando a saúde mental e os relacionamentos. “A igreja pode ser exatamente o que você precisa para sair da depressão. Mas, como qualquer outro medicamento, será preciso persistir para ver os efeitos positivos”, pondera a autora de livros como ‘Cristianismo à prova’ e ‘O Jesus que as mulheres viram’.
Para McLaughlin, o novo milênio tem testemunhado o aumento acentuado de casos de depressão, ansiedade e ideação suicida. Ela observa que, de 2015 a 2023, a proporção de adultos norte-americanos diagnosticados com depressão ao menos uma vez na vida chegou a 29%. Embora reconheça que muitas pessoas tenham experiências negativas no ambiente eclesiástico, a pesquisadora não hesita: “Uma igreja genuinamente amorosa e saudável pode ser exatamente o que você precisa para se curar. De fato, pode, literalmente, salvar vidas”, conclui, em seu trabalho.





