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18/02/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Nos dias de hoje, passar um mês inteiro sem usar o celular pode parecer impossível, mas essa é a proposta do Fevereiro Sem Celular, mobilização que visa a conscientizar a sociedade global acerca dos malefícios da dependência digital. Ou, pelo menos, propor reflexões a respeito do contato excessivo da sociedade contemporânea em relação às telinhas. Surgido na Europa, o Phone Free February tem ganhado adeptos em todo o mundo, com método semelhante ao já usado no Janeiro Sem Álcool ou no Dia Mundial Sem Tabaco: um movimento fomentado a partir das redes sociais e de várias mídias, para alertar as pessoas quanto aos riscos de vícios, comportamentos compulsivos e do uso indiscriminado de substâncias reconhecidamente tóxicas.
A diferença é que o objetivo, no caso, é conscientizar acerca da dependência tecnológica. Um quadro que impressiona: segundo o Relatório Digital 2025 – produzido pelos sites especializados We Are Social e a Meltwater -, a média global de tempo diário por uma pessoa com o celular nas mãos é de 3 horas e 46 minutos. E isso sem levar em conta usos específicos, como ligações ou comunicação profissional. A estimativa inclui apenas aqueles momentos em que o usuário navega nas redes sociais, em aplicativos de entretenimento ou, simplesmente, observa sem objetivo específico a sucessão quase infinita de sons e imagens, prática chamada, no jargão virtual, de scrollar. Afinal, o aparelho é como uma janela permanentemente aberta para todo o fascinante – e desafiador – universo virtual.
No Brasil, então, os números são ainda mais impressionantes. Por aqui, as pessoas passam, em média, cinco horas diárias deslizando o dedo pela tela. Realizada pela plataforma Data.ai, a pesquisa coloca o Brasil na quinta posição no ranking de países que mais usam o smartphone. O apelo dos vídeos curtos protagonizados por influenciadores, dos aplicativos para todas as finalidades, dos joguinhos, das propagandas, das séries e dos mais variados conteúdos constituem um conjunto de estímulos ao qual é difícil resistir, sobretudo para os mais jovens. De acordo com levantamento da União Internacional das Telecomunicações, cerca de 80% da população mundial com mais de dez anos tem um celular.
A Global Solidarity Foundation, organizadora da campanha e sediada na Suíça, denuncia que os smartphones são projetados para manter os usuários conectados e fazendo checagens constantes de conteúdo – em média, 220 vezes por dia. Está previsto que a ação Fevereiro Sem Celular aconteça todos os anos. Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, o coordenador da fundação, Jacob Warn, disse que o objetivo da campanha é fazer com que as pessoas questionem para que, realmente, usam o celular no dia a dia. A sugestão é reduzir progressivamente esse hábito no convívio com a família, nos momentos de descanso e nas atividades de lazer, substituindo-o por leitura, práticas lúdicas, experiências espirituais e pelo ócio criativo.





