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05/06/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Os Correios, uma das mais tradicionais empresas estatais brasileiras, vão ampliar sua atuação para novas áreas. Trata-se de mais uma medida adotada para superar a crise profunda dos últimos anos, marcada pelo rombo bilionário em suas contas. Uma portaria do Ministério das Comunicações (MCom), publicada em 14 de maio, autoriza a estatal a empreender em segmentos diferentes de suas funções convencionais, englobando logística integrada, serviços digitais e financeiros, e até telefonia celular por meio de rede virtual.
O texto também regulamenta atividades já permitidas aos Correios, como gestão de galpões logísticos, armazenagem de produtos, certificação digital, comércio eletrônico e comercialização de seguros. As mudanças visam ampliar o espectro de possibilidades de geração de renda e a segurança jurídica em relação aos contratos já firmados ou futuros. De acordo com o MCom – pasta à qual a instituição é vinculada –, a nova regra consolida portarias atualmente vigentes em um único instrumento, bem como acompanha a evolução tecnológica e o novo perfil de atuação dos Correios.
Tal redefinição dos papéis da organização – que, durante grande parte do século passado, conquistou lugar de destaque e se tornou uma das marcas brasileiras mais queridas e acreditadas – chega em momento crítico. Conforme Ongrace tem mostrado ao longo de várias reportagens, os Correios acumularam prejuízo de 8,5 bilhões de reais em 2025; o maior de sua história desde 1969, quando a empresa foi configurada nos moldes atuais.
Desde dezembro, a presidência da companhia está nas mãos do economista Emmanoel Schmidt Rondon. Desde o ano passado, empréstimos de emergência foram autorizados com garantia do Tesouro Nacional, em um aporte de 20 bilhões de reais. Uma série de ações sanadoras, como redução de agências, venda de patrimônio e cortes com pessoal, vem sendo implementada. A expectativa é de que as novas áreas autorizadas tragam mais eficiência administrativa; modernização de infraestrutura, com foco no varejo, na agilidade nos negócios, bem como ampliação de contratos com os setores público e privado para diversificar e aumentar as receitas.





