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19/09/2026

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Igrejas buscam caminhos para incluir crianças autistas e suas famílias

Por André Santiago, do Ongrace

Sons intensos, ambientes cheios e estímulos inesperados podem representar desafios para crianças autistas durante cultos e atividades nas igrejas. – imagem: Unsplash by Alireza Attari

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Para algumas famílias, participar de um culto pode envolver desafios que passam despercebidos pela maioria. Música alta, palmas, microfones, ambientes cheios, contato físico inesperado e mudanças na rotina são situações comuns em uma igreja, mas podem provocar desconforto em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O tema alcança um número expressivo de brasileiros. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no país, o que equivale a 1,2% da população. Entre crianças de 5 a 9 anos, faixa com maior proporção registrada, o percentual chegou a 2,6%.

Pedagoga e voluntária, Denise Soares defende que a inclusão de crianças atípicas deve envolver toda a comunidade cristã. – imagem: Denise Soares / Arquivo pessoal

Nas igrejas, incluir essas crianças também significa acolher suas famílias. A pedagoga Denise Soares, voluntária no cuidado de crianças atípicas em sua igreja, afirma que a falta de estrutura e preparo pode levar os pais a reduzir a frequência nos cultos ou até deixar de participar. “Pode acontecer de a criança levantar, correr, gritar, chorar, tampar os ouvidos, falar alto ou ter uma crise durante o culto. Os pais sentem que estão sendo observados como se não soubessem educar o filho, colocar limite, e ficam constrangidos”, explica.

Outro obstáculo aparece quando não há pessoas preparadas para acompanhar a criança. Segundo Denise, os responsáveis podem passar boa parte do culto fora do templo. Além disso, atividades que ignoram necessidades individuais permitem a presença física, mas não garantem uma inclusão efetiva. Contudo, a adaptação não precisa começar com grandes investimentos. Denise alerta para o equívoco de simplesmente separar a criança dos demais. “Uma igreja preparada não tem uma sala específica para a criança atípica; isso não é inclusão”, afirma. Entre as medidas possíveis, estão criar uma rotina visual das atividades, usar um relógio para facilitar a compreensão dos horários, conversar previamente com a família e formar uma equipe de mediação com voluntários preparados para conhecer as necessidades de cada criança.

A capacitação da equipe do ministério infantil também é fundamental. “Cada criança é única, ainda que tenha o mesmo diagnóstico: TEA”, ressalta Denise. Conhecer a criança, ouvir os responsáveis e saber como agir em momentos de crise são cuidados que tornam as atividades mais acessíveis. O acolhimento também transforma a experiência dos pais. Quando percebem que o filho é respeitado e realmente incluído, diminuem o medo e a insegurança, e os vínculos com a comunidade se fortalecem. “A família recupera a esperança; diminui o medo e a insegurança; reconhece que a criança é acolhida com respeito, incluída e evangelizada”, relata.

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