
Greve de ônibus provoca transtornos no Rio
06/07/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

COMPARTILHE
O ano de 2026 tem trazido uma realidade preocupante para a economia brasileira e ela não está naqueles índices acadêmicos, que medem a saúde financeira do país em gráficos distantes do dia a dia do supermercado, do aluguel ou da mensalidade escolar. É justamente nas contas das famílias que o endividamento recorde mostra sua sombra. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 81,6% dos lares do Brasil possuem algum tipo de dívida. É o maior patamar de toda a série histórica e o quinto mês consecutivo de alta.
Se, no ano passado, o endividamento já assustava em junho de 2025, ele afetava 78,2% dos brasileiros , agora é a inadimplência que chama a atenção. Há dívidas que fazem parte do orçamento (por exemplo, a prestação da casa própria) e dívidas que não têm lastro para serem pagas, acumulando-se. O percentual de famílias com contas em atraso, até maio passado, já beirava os 30%. E a situação é mais grave entre pessoas de baixa renda, pois ainda de acordo com o estudo da CNC, famílias que recebem até três salários mínimos (4,8 mil reais) têm dívidas, e 38,6% delas estão inadimplentes. Já nas residências com renda superior a dez salários mínimos (ou 16,2 mil reais), é de 15,5% a inadimplência.
Com taxa básica de juros da ordem de 14,25% ao ano a segunda maior do mundo, atrás apenas da praticada na Rússia, em guerra contra a Ucrânia desde 2022 , o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no que se refere ao saneamento financeiro de sua população. A situação levou o governo a lançar o programa Desenrola Famílias, destinado a pessoas físicas com rendimento mensal de até cinco salários mínimos, com condições especiais para captação de renda, com juros de 1,99% ao mês, descontos de até 90% e prazos de 12 a 48 meses, com parcelas de 50 reais.

Essa quitação de dívidas a partir de empréstimos menos onerosos é uma das principais recomendações para quem está apertado por boletos em atraso, segundo o contador carioca Thales Simões. “O ideal é buscar a renegociação da dívida antes que a situação financeira se agrave”, destaca. “Para isso, o consumidor deve procurar diretamente a instituição credora e avaliar alternativas, como descontos para pagamento à vista, alongamento dos prazos ou substituição da dívida por linhas de crédito com taxas de juros mais baixas”.
Para ele, o elevado endividamento das famílias brasileiras é resultado de uma combinação de fatores, como aumento do custo de vida, perda do poder de compra da população e acesso cada vez mais facilitado ao crédito. “Muitas famílias recorrem ao crédito para financiar despesas não essenciais ou manter seu padrão de consumo, o que pode desencadear um ciclo de endividamento agravado pelas elevadas taxas de juros praticadas no país.”
Thales lembra que providências aparentemente simples, como registrar receitas e despesas da família, podem ter excelentes resultados. “Ter clareza sobre a situação financeira é fundamental para identificar oportunidades de redução de gastos”. A quitação de dívidas com juros mais elevados deve ser priorizada, bem como evitar o uso recorrente do cartão de crédito para despesas do dia a dia e estabelecer o hábito de poupar regularmente. “Em muitos casos”, ensina o especialista, “a consistência e a disciplina financeira têm um impacto mais relevante na saúde financeira do que o montante poupado nos primeiros meses.”





