
Mulheres que edificam: liderança, fé e coragem no Dia Internacional da Mulher
08/03/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Considerada a nação mais evangelizada da Ásia, a Coreia do Sul não para de surpreender os analistas da religião. Uma pesquisa divulgada pelo instituto Korea Research constatou que seguidores da fé evangélica já constituem o maior grupo religioso do país oriental – cerca de 20% da população se identificam como protestantes, incluindo membros de denominações tradicionais e de igrejas renovadas e pentecostais. Para efeito de comparação, o número é quase o dobro do de católicos (11%) e supera, até mesmo, o de budistas (aproximadamente 16%) – o budismo é uma tradição milenar da Coreia do Sul.
O estudo segue uma série histórica iniciada em 2018 e que mede a religiosidade dos sul-coreanos. Nos últimos anos, esses três maiores grupos religiosos têm se mantido estáveis em número de adeptos. A exceção ocorreu no período de 2020 a 2021, quando a pertença religiosa e a frequência a cultos subiram em números absolutos, como efeito provável das angústias provocadas pela pandemia da covid-19, que causou em torno de 25 mil mortes na Coreia do Sul.
Introduzido no país entre os séculos 18 e 19, o cristianismo enfrentou severas restrições até o fim dos anos de 1800, quando a nação começou a receber forte influência missionária, sobretudo norte-americana. Após a longa ocupação japonesa, na primeira metade do século 20, e especialmente com o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), o fluxo migratório contribuiu para maior diversidade religiosa. O crescimento acelerado da fé evangélica ganhou impulso a partir dos anos de 1980, quando grandes denominações locais, como a Igreja do Evangelho Pleno de Yoido, fundada pelo pastor, escritor e conferencista David Yonggi Cho (1936-2021), passaram a ter mais de 500 mil membros.
O estudo do Korea Research chama a atenção também para o número de pessoas sem crença definida, agnósticas e ateias: 51% dos entrevistados afirmaram não ter filiação religiosa. O contingente dos sem religião tem crescido nas últimas décadas, em paralelo ao desenvolvimento da Coreia do Sul. A nação já foi considerada um dos “Tigres Asiáticos” – grupo de países emergentes do continente – e, hoje, integra o G20, conjunto das maiores economias do mundo.





