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13/10/2026Por Viviane Castanheira, do Ongrace

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Sem a presença de perseguidores ou leis repressivas, as igrejas evangélicas do Japão enfrentam uma crise silenciosa de sobrevivência. As faculdades bíblicas do país formam apenas 120 pastores por ano, enquanto até cinco mil templos estão sem liderança ou à beira de perder seus dirigentes para a aposentadoria. O descompasso ameaça fechar metade das congregações protestantes japonesas até 2030, em um país no qual os cristãos representam pouco mais de 1% da população.
As lideranças cristãs deram um nome a esse fenômeno de o “problema de 2030” (2030年問題). A projeção é que metade das congregações do país pode desaparecer em cinco anos. Mais de cem igrejas fecham as portas anualmente, e isso em um país no qual a liberdade religiosa é garantida pela constituição desde 1947 e não há perseguição.

Nesse cenário, ganham espaço os chamados missionários dekasseguis, descendentes de japoneses que migram para o país asiático. Um deles é Thiago Matsui, que chegou ao Japão aos 12 anos, com a família, e se converteu por lá. Hoje, aos 32 anos, vive em Nagoya com a esposa Isabella e lidera o UP Japan, movimento evangelístico interdenominacional voltado a jovens japoneses.
“No Japão, a maioria dos líderes já está de idade e não há pessoas preparadas para dar continuidade ao trabalho”, confirma Thiago. Para ele, a saída passa por dentro da própria igreja: “É muito importante investir no discipulado. É necessário um acompanhamento das pessoas, ensiná-las e dar oportunidades para que possam crescer e servir na obra de Deus.”
Segundo Thiago, a pregação no Japão não avança por campanhas de massa, mas por conversas. “Funciona mais por meio do evangelismo pessoal, de relacionamentos e conexão com as pessoas”, explica. E o maior obstáculo não é teológico, mas cultural. “Creio que o maior desafio seja mostrar que existe um único Deus, Criador de todas as coisas, e que dependemos dEle”.

O missionário brasileiro aposta na geração que cresceu no Japão, estudou em escola japonesa e domina o idioma para a difusão da Palavra de Deus. “Vejo muitas igrejas que têm um trabalho lindo com japoneses. Isso alegra muito o meu coração. Esse é o nosso desejo: alcançar os japoneses e despertar as igrejas e os jovens para esse chamado”, conclui.
A Igreja da Graça também mantém um trabalho missionário virtual direcionado ao país do sol nascente. Uma página no Facebook em japonês, com vídeos e imagens traduzidos, e seguida por mais de 12 mil pessoas.





