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23/04/2026
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Pesquisas revelam efeitos colaterais dos emagrecedores

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Largamente utilizadas para a perda de peso, as “canetas emagrecedoras” têm seus efeitos colaterais estudados – Imagem: Freepik

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Pesquisas recentes sobre medicamentos análogos ao GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida – princípios ativos dos populares Ozempic e Mounjaro, também chamados de “canetas emagrecedoras” –, estão despertando a atenção do mundo para os efeitos ainda pouco conhecidos de seu uso. Uma dessas análises, publicada pela prestigiada revista científica The Lancet Psychiatry, revela que tais substâncias, amplamente utilizadas para a perda de peso, trazem benefícios à saúde mental, mas também causam mudanças metabólicas.

O primeiro estudo, envolvendo cerca de cem mil pessoas em diferentes países, baseou-se em registros da Universidade da Finlândia Oriental, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, e da Universidade Griffith, na Austrália, coletados ao longo de vários anos. De acordo com a conclusão, a semaglutida demonstrou associação com a redução de internações e afastamentos laborais relacionados a transtornos mentais – uma diminuição de 44% nos casos de depressão e de 38% nos quadros de ansiedade.

Outro efeito notado no levantamento foi a ligação do Ozempic e do Mounjaro a um risco menor de comportamentos que predispõem a intenções suicidas e vinculados ao consumo de álcool. Ainda não se sabe por que tais medicamentos afetam o humor e a mente, mas a relação entre ambos foi significativa, segundo os pesquisadores. “É possível que, além de fatores, como a redução do consumo de álcool, as melhorias na imagem corporal relacionadas à perda de peso ou o alívio associado a um melhor controle glicêmico na diabetes, também possam existir mecanismos neurobiológicos diretos envolvidos, por meio de alterações no funcionamento do sistema de recompensa do cérebro”, destacou o professor finlandês Markku Lähteenvuo, em comunicado sobre o estudo.

Os efeitos reconhecidos das “canetas emagrecedoras” incluem a redução do apetite, a partir da sensação de saciedade que promovem. Por isso, elas têm sido indicadas para combater a obesidade ou o sobrepeso com comorbidades. Ao retardarem o esvaziamento gástrico, os medicamentos ajudam o paciente a comer menos. Outra pesquisa, realizada por estudiosos da Universidade da Pensilvânia (EUA), usou ferramentas de inteligência artificial para analisar dados relatados por 70 mil pessoas que usam os fármacos. Entre os efeitos do Ozempic e do Mounjaro, destacaram-se – conforme artigo publicado na revista Nature Health – irregularidade no ciclo menstrual e alterações térmicas corporais, como calafrios e ondas de calor.

Ao mesmo tempo, aproximadamente 44% dos participantes descreveram pelo menos um efeito colateral, sendo o desconforto gastrointestinal o mais comum. A fadiga também foi uma queixa. “Acredita-se que esses medicamentos atuem sobre o hipotálamo cerebral, que ajuda a regular uma grande variedade de hormônios”, disse Jena Shaw Tronieri, coautora do estudo e pesquisadora do Centro de Distúrbios Alimentares e de Peso da Universidade da Pensilvânia. “Isso não significa que os medicamentos sejam necessariamente a causa desses sintomas, mas aponta que eles merecem ser estudados de maneira mais sistemática.”

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