
MQV se reúne no Maranhão para encontro de fortalecimento espiritual
30/10/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Em 31 de outubro, há 509 anos, o mundo cristão viveu uma de suas maiores transformações. Encabeçado por líderes religiosos como o monge alemão Martinho Lutero, o teólogo francês João Calvino e o reformador escocês John Knox, entre outros, o movimento da Reforma Protestante transformaria não só a fé, mas também o mundo. O passo decisivo foi a divulgação pública, na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, de uma série de preceitos de fé, vida cristã e teologia que, até hoje, são observados e seguidos por mais de 800 milhões de fiéis em todo o mundo.

Aquele foi o início de uma dissidência com os rumos adotados pela cristandade até então. Hoje, passados mais de cinco séculos, o segmento protestante encontra representação em milhares de denominações pentecostais e neopentecostais, grupos teológicos e igrejas históricas. Para falar sobre esse legado para o cristianismo contemporâneo, o Ongrace conversou com a teóloga e professora Cleópatra Aparecida Ramos, coordenadora de Cursos Bíblicos da Academia da Graça de Deus (Agrade). Bacharel em Teologia pela Faculdade Metodista e membro da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD).
Diante do movimento da Reforma Protestante, ocorrido no século 16, para a teóloga, o maior legado deixado para a Igreja Evangélica contemporânea foi a retomada da verdadeira essência do cristão: “É ser um imitador de Cristo, e isso só voltou a ser possível mediante o livre acesso ao texto inspirado por Deus, a Bíblia. Dessa forma, todos passaram a ter a possibilidade de alcançar a plena revelação sobre quem é Deus, como Ele Se relaciona com Seu povo e quais são os caminhos dEle, bem como Sua vontade perfeita e agradável. O próprio texto vai dizer, em Josué 1.8, que é necessário, diariamente, estar alinhado com Deus mediante o contato íntimo e individual com Sua Palavra: Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás”.
Muitos autores e pensadores cristãos contemporâneos avaliam que, passado todo esse tempo, uma nova Reforma — ou, pelo menos, algo semelhante, em termos de ruptura com algumas práticas do cristianismo — seria necessária. Sobre o tema, Cleópatra destaca alguns pontos: “A Igreja, na sua trajetória histórica desde o primeiro século, necessitou de ajustes. O apóstolo Paulo, em suas cartas às comunidades cristãs espalhadas em regiões distintas, fez contínuas advertências quanto aos falsos mestres e às doutrinas e práticas que se infiltravam e eram disseminadas entre os irmãos, a ponto de afastarem muitos de Cristo. Diante disso, cada um de nós tem a responsabilidade de zelar pela integridade da nossa vida cristã e de nossas ações na comunidade de fé e fora dela. Somente assim, influenciaremos a sociedade na direção do Reino de Deus. A Reforma começa em nós, individualmente, quando permitimos que, continuamente, o texto divino inspirado nos molde à figura de Cristo, como está escrito no Salmo 139.23a: Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração”.
A Igreja Internacional da Graça de Deus faz parte da família de igrejas herdeiras da Reforma, já que também postula as “cinco solas” do movimento — somente a fé, somente as Escrituras, somente a graça, somente Cristo e glória somente a Deus. Para Cleópatra, esses princípios têm sido seguidos com sucesso pela IIGD: “A Igreja Internacional da Graça de Deus proporciona aos seus membros o pleno acesso às Sagradas Escrituras e também ao estudo mais aprofundado da Santa Palavra, por meio dos cursos oferecidos pela Agrade”, destaca.
Compreender a história da Reforma Protestante ajuda a explicar não apenas a origem de muitas denominações evangélicas, mas também os valores que continuam fortalecendo a fé cristã em contextos de liberdade e expressão religiosa guiada por Deus e transformada por Cristo Jesus.






