
Graça Digital: talento e excelência profissional na música cristã
17/03/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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A inteligência artificial (IA) já tem influenciado os hábitos e as práticas espirituais de muita gente. O “aconselhamento” realizado por ferramentas com essa tecnologia tem sido utilizado cada vez mais e levado em consideração esta é a opinião de um em cada três cristãos dos Estados Unidos, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Barna, entidade de pesquisas que avalia temas, como fé, cultura e comportamento. Nada menos que 34% dos quase 1,5 mil adultos participantes do estudo declararam acreditar que conselhos prestados por aplicativos de IA pode substituir horas de gabinete com um ministro do Evangelho.
A sondagem foi divulgada em uma convenção de mídia cristã realizada nos Estados Unidos, em novembro do ano passado, como parte de uma iniciativa denominada Estado da Igreja, fruto de uma parceria do Barna com a plataforma tecnológica Gloo, especializada em interações com o segmento religioso. Por outro lado, quatro em cada dez pessoas avaliadas afirmam que a IA as ajudou na oração, no estudo da Bíblia e no crescimento espiritual em forma de pesquisa.
Em 2024, o Pr. Justin Lester, da Friendship Missionary Baptist Church, em Vallejo, na Califórnia, criou um app digital personalizado para a igreja, no qual utiliza seus sermões como material de apoio aos pequenos grupos, permitindo que outros líderes criassem estudos pautados em suas mensagens. Para ele, a ferramenta é uma das muitas formas de crescimento espiritual e desenvolvimento da comunidade. “Jesus disse que faríamos coisas maiores. E eu acho que (IA) faz parte do ‘maior’”, declarou.
O levantamento revelou que o apreço pelos conteúdos espirituais proporcionados pela tecnologia é maior nas faixas etárias mais jovens. Entre a chamada Geração Z (aqueles nascidos entre 1995 e 2010), 39% recorreram à inteligência artificial em busca de suporte espiritual e orientações para a vida devocional. Outro recorte mostra que os cristãos considerados praticantes que frequentam, ao menos, dois cultos ou reuniões de caráter religioso por mês são, justamente, os que mais concordam com a ideia de que os “aconselhamentos” virtuais são tão ou mais valiosos do que a assistência prestada de modo interpessoal.
Em contrapartida, tem crescido o interesse, por parte dos cristãos, em compreender melhor e fazer uso das ferramentas de IA como aliadas da vida espiritual e do evangelismo. Enquanto apenas 12% dos pastores avaliados se sentem à vontade para ensinar sobre o assunto, há uma grande demanda, nesse sentido, por parte dos crentes. “Embora a maioria dos cristãos praticantes continue bastante cautelosa em relação à adoção da IA como ferramenta espiritual, suas opiniões estão mudando”, diz um comunicado do grupo Barna.
Nos últimos dois anos, o uso de IA por igrejas, ministérios e lideranças cristãs aumentou em 80%. Por sua vez, cada vez mais pastores cerca de 65%, conforme pesquisa do portal AiForChurchLeaders.com, dos EUA recorrem a ela para o preparo de sermões, a fim de otimizar sua produção intelectual e, até, organizar as atividades eclesiásticas. A conclusão é que a inteligência artificial pode ser uma aliada da igreja. “Há uma oportunidade real para os pastores discipularem seus fiéis sobre como usar essa tecnologia de forma benéfica”, frisa o comunicado.




