
Semana do Consumidor movimenta mais de 8 bilhões de reais
14/03/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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No último dia 28 de fevereiro, o mundo amanheceu com notícias vindas do Oriente Médio a respeito de mais um conflito na região — desta vez, opondo os Estados Unidos e Israel, seu maior aliado na região, ao Irã. Os primeiros relatos já mencionavam bombardeio à capital, Teerã, e outras cidades, incluindo aquelas em que, suspeita-se, o país desenvolva projetos de fabricação de artefatos bélicos nucleares. Diante do conflito, reascendeu entre as igrejas a temática sobre os sinais relatados na Bíblia sobre a aproximação dos tempos do fim.
Com a crise, aumentaram os temores de escalada de um conflito global. Até agora, os ataques da coalizão EUA-Israel e a reação iraniana já deixaram milhares de mortos e feridos e um amplo rastro de destruição em 12 países. Além disso, a instabilidade já provoca efeitos econômicos mundialmente. Autoridades iranianas anunciaram o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica do Golfo Pérsico com intenso tráfego de navios petroleiros. Estima-se que um quinto da produção mundial do óleo é distribuído por esse caminho. Como resultado, o preço da commoditie já subiu 10% em alguns mercados.
A instabilidade política também é um dos combustíveis do conflito. Com a morte do líder religioso e político do Irã, aiatolá Ali Khamenei, abriu-se especulações sobre sua sucessão e a continuidade do regime islâmico instalado desde 1979. Por seu nível de opressão religiosa, o país é considerado um dos dez que mais perseguem o cristianismo em todo o mundo, segundo levantamento anual realizado pela missão Portas Abertas.
A organização cristã, que atua em favor da liberdade religiosa no mundo, tem divulgado informações colhidas de fontes local. Os parceiros relatam grande dificuldade na obtenção e divulgação de informações pela falta de meios de comunicação: “O som das explosões é muito assustador. Os jatos de combate barulhentos estão realizando ataques terríveis”, diz um cristão iraniano, que vive em uma cidade perto da capital. “Por favor, orem para que os cristãos no Irã permaneçam resilientes e se apeguem à esperança durante esses dias incertos e difíceis” encerra o correspondente.

Para além dos diversos componentes geopolíticos e econômicos do mais recente conflito, a nova realidade traz à discussão elementos escatológicos. Afinal, Israel e outras nações da região, como o próprio Irã, a Turquia e Síria, têm suas origens mencionadas na Bíblia e compõem um quadro profético ligado à teologia dos tempos do fim. “Embora as motivações imediatas da crise atual passem por questões de soberania, influência regional e retaliação política, para o estudante das Escrituras, é impossível dissociar tensões no Oriente Médio do panorama escatológico”, avalia o pastor batista e bacharel em Teologia Wanderley Andrade. Ele lembra que a Bíblia aponta que o foco dos eventos finais da história humana converge para aquela região, especificamente em torno de Israel.
“Essa crise tem relação com o fim dos tempos sob alguns aspectos”, continua. “O Irã — a antiga Pérsia — é citado explicitamente em profecias, como as de Ezequiel 38, que descreve uma coalizão de nações que se levantaria contra Israel nos ‘últimos dias’”. Assim, qualquer escalada que envolva essas regiões reforça a percepção de que o cenário profético está sendo montado, acredita. “Jesus, em Seu sermão profético, registrado em Mateus 24, alertou que ouviríamos falar de ‘guerras e rumores de guerras’. Ele enfatizou que ainda não seria o fim, mas, sim, o que chamou de princípio das dores. Conflitos dessa magnitude servem como um lembrete da fragilidade da paz humana e da necessidade de prontidão espiritual.”

Wanderley lembra que, atualmente, o Irã é um dos países onde o cristianismo mais cresce no mundo, embora de maneira “camuflada”, devido à perseguição severa. “Uma mudança para um regime mais secular ou democrático pode gerar mais liberdade na expressão de fé desses cristãos”, reforça. O teólogo, professor e pastor Luiz Sayão, um dos mais respeitados hebraístas do Brasil, concorda: “Há informações de mais de 1 milhão de convertidos ao Evangelho no Irã”, aponta. Sayão entende que, caso haja uma mudança de regime, o resultado tende a ser benéfico para o Evangelho na região: “O crescimento e a solidificação da Igreja iraniana devem se expandir ainda mais.”
Especialista em línguas bíblicas e temas ligados a Israel, Sayão observa que a questão religiosa não é decisiva neste atual conflito. “Muitos têm uma visão inadequada sobre essa questão, como se existisse um antagonismo religioso entre Israel e Irã. Acontece que estamos vendo uma realidade de crescimento cristão não só no Irã, como também em muitos países muçulmanos.”





