
Mulheres que Vencem mobiliza o país com a mensagem Recomeçar
07/04/2026Por Viviane Castanheira, do Ongrace

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Vinte anos após a criação dos vagões exclusivos para mulheres, o estado do Rio de Janeiro atualiza a legislação e amplia a medida. Já está em vigor, desde o dia 23 de março, a Lei nº 11.143/26, que determina o funcionamento desses espaços durante todo o período de operação de trens e metrô, substituindo a regra anterior, restrita aos horários de pico.
A mudança, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), ocorre em um cenário preocupante. Dados do Instituto Patrícia Galvão indicam que 97% das mulheres que utilizam o transporte público já sofreram assédio. Com a nova lei, homens estão proibidos de entrar nesses vagões em qualquer horário.

Para a Pra. Marilza Lima, líder do Mulheres que Vencem (MQV) no estado do Rio, a medida atende a uma necessidade urgente. “A questão para nós, mulheres, é primordial, porque, infelizmente, ainda existem homens que não respeitam e acabam expondo a mulher a situações degradantes no dia a dia”, ressalta. Diante da nova regra, a pastora destaca: “Não basta só criar a lei, é preciso também ter pessoas diariamente garantindo o cumprimento, pois sem punição muitos acreditam que nada vai acontecer.”

A autônoma Diana Rocha de Freitas, de 53 anos, também avalia a mudança de maneira positiva. “Acho muito bom, porque a gente tem a opção de ir e vir sem transtorno. Já me senti insegura inúmeras vezes quando utilizava o trem todos os dias”, conta. “Quando estava grávida, nem me davam um lugar para sentar”, acrescenta.

A secretária Ana Cristina Martinez Teixeira Alves, que trabalha no Centro do Rio e utiliza o metrô há mais de 30 anos, sente-se aliviada com a nova lei. “Acredito que representa um avanço significativo para a segurança das mulheres. A medida, que passa a valer agora sem restrição de horário, traz à tona os inúmeros desconfortos, assédios e as inúmeras violências que mulheres enfrentam diariamente”, afirma. Cristina relata uma experiência traumática que viveu há alguns anos. “Um homem se aproveitou da aglomeração para encostar maliciosamente em mim. Até tive vontade de reclamar, mas o medo de não saber como seria a reação dele e das pessoas no vagão me calou”, recorda-se.
Em nota, o MetrôRio informa que já cumpre a nova legislação, com orientação aos passageiros, rondas constantes e campanhas educativas para reforçar a regra. A lei prevê advertência e multa em caso de descumprimento, reforçando a necessidade de respeito e segurança no transporte público.





