
Perigo: bets avançam sobre orçamento das famílias e reacendem debate
07/09/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Em 8 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização, um marco fundamental para o desenvolvimento pessoal e social de uma nação. Mais do que o domínio da leitura e da escrita, a alfabetização representa um processo essencial para a construção do conhecimento, o progresso intelectual e a autonomia do ser humano. Além disso, é uma das primeiras competências acadêmicas adquiridas ao longo da vida e um importante caminho para o exercício da cidadania. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1967. Em meados do século passado, apenas 44% da população brasileira sabia ler e escrever. Hoje, essa taxa alcança 95% dos brasileiros com 15 anos ou mais.
Compreender o mundo, ampliar oportunidades, exercer plenamente os direitos e interagir socialmente são algumas das possibilidades proporcionadas pela alfabetização. Atualmente, um dos principais desafios é garantir que as crianças desenvolvam a capacidade de ler nos primeiros anos do Ensino Fundamental. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece que a alfabetização deve começar no primeiro ano da Educação Fundamental – Anos Iniciais e estar consolidado ao final do segundo ano letivo, por volta dos sete anos de idade. O limite máximo para isso é o fim do terceiro ano letivo, período previsto para a garantia da alfabetização plena.

“Minha maior realização sempre foi ver a evolução dos meus alunos – a felicidade deles em escrever as primeiras palavrinhas e descobrir que conseguem ler o mundo ao seu redor”, declara a pedagoga Índina Correa Rocha de Araujo, professora de anos iniciais na rede pública de ensino da Prefeitura do Rio de Janeiro. Ela conta que sempre buscou estimular, em seus alunos, o desejo pela leitura e escrita. “Não como obrigação curricular, mas por deleite, como forma de compreender a vida e exercer a autonomia e a criatividade”, afirma.
Para a professora, a alfabetização precisa fazer sentido nas situações reais do cotidiano da criança. Por esse motivo, lamenta a dificuldade de conseguir acompanhar individualmente as necessidades de cada aluno. “Infelizmente, ainda estamos muito distantes de um resultado desejável. Acredito que existem vários fatores que colaboram para isso, a começar pelas salas de aula superlotadas e a falta de oferta de uma boa condição de trabalho para os professores.” Índina aponta, ainda, desafios como a frequência escolar, o contexto social das famílias e a carência de infraestrutura de apoio.
Combater as dificuldades e as desigualdades regionais que atravessam a conquista de uma alfabetização plena não se restringe a beneficiar crianças, jovens, adultos e idosos com defasagem escolar. No Brasil, o analfabetismo absoluto e o analfabetismo funcional – quando a pessoa consegue identificar letras e palavras, mas a leitura e a escrita não são suficientes para a compreensão de textos simples e operações matemáticas fundamentais – ainda são desafios. Em nosso país, o analfabetismo está fortemente concentrado na população idosa, já que as gerações mais velhas tinham menos acesso à escola e era comum abandoná-la nos primeiros anos para ajudar no sustento familiar.

Além disso, alfabetizar e incluir adultos não significa apenas ensinar a ler, mas também inseri-los na sociedade, incentivar a continuidade dos estudos e o ingresso no mercado de trabalho. Nesse sentido, o papel do ensino confessional tem sido igualmente decisivo. “A perspectiva da educação cristã é imprescindível, pois integra os valores bíblicos à formação plena do ser humano. Esse modelo transmite disciplina, persistência e princípios éticos fundamentados na Palavra de Deus”, aponta o pastor e professor Rafael Mariano, reitor da Academia Teológica da Graça de Deus (Agrade), escola ligada à Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD).
Mariano ressalta que a ênfase que igrejas e instituições evangélicas têm dedicado à formação e à capacitação de seu pessoal – o caso da Agrade, a qual já formou mais de 25 mil pessoas em áreas como Formação Bíblica, Capelania e Voluntariado – colabora para o fomento da educação no Brasil. “Penso que esse aumento se deve à necessidade de preparo por parte de obreiros e líderes”, observa. Tal esforço se insere no legado dos evangélicos para o desenvolvimento da educação brasileira, frisa o educador. “No século 19, missionários protestantes se dedicaram ao ensino, fundando escolas, a fim de promover a alfabetização em massa, além do estudo nas fases seguintes, inclusive universidades.”
Outra contribuição, assinala o professor, foi a implementação de práticas pedagógicas variadas, como as salas mistas. “Além disso, a educação cristã aboliu os castigos físicos em sala de aula, como a famosa palmatória, substituindo-os pelo diálogo. Escolas cristãs também introduziram diversas atividades artísticas e físicas em seus currículos”, conclui.





