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14/10/2026

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Dia do Professor: ensinar na era das redes sociais

Por André Santiago, do Ongrace

Uso do celular em sala de aula se tornou um dos desafios para professores diante de uma geração cada vez mais conectada. – imagem: Pexels by Pixabay

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Celulares, redes sociais, vídeos curtos e ferramentas de inteligência artificial passaram a fazer parte da rotina dos estudantes. Para os professores, o desafio já não é apenas incorporar essas tecnologias à educação, mas também ensinar uma geração acostumada a estímulos constantes e respostas cada vez mais rápidas.

A dimensão dessa presença digital aparece na TIC Kids Online Brasil 2025, que realiza uma pesquisa nacional sobre o uso da internet por crianças e adolescentes brasileiros. Os dados constataram que, entre os usuários de 9 a 17 anos, 84% acessam a rede mais de uma vez por dia. A navegação em mídias sociais chega a 89% entre o público de 13 a 17 anos.

O professor de História André Pinheiro destaca os desafios de ensinar a uma geração cada vez mais conectada– imagem: Arquivo pessoal André Pinheiro

Na sala de aula, o professor de História André Pinheiro percebe reflexos desse comportamento. “Manter a concentração dos alunos é extremamente difícil. Essa falta de foco se reflete na dificuldade de compreender o significado de palavras simples. Na disciplina de História, especificamente, a interpretação desse vocabulário básico tem sido um grande obstáculo”, relata.

A preocupação com a distração digital aparece em dados educacionais. No PISA 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), 25% dos alunos brasileiros disseram que seus colegas se distraíam frequentemente com dispositivos digitais durante a maioria ou em todas as aulas de Ciências. Aqueles que relataram esse tipo de distração tiveram desempenho 19 pontos inferior ao dos estudantes que não a mencionaram, considerada a condição socioeconômica dos estudantes e das escolas.

Desde o ano passado, uma lei federal restringe o uso de celulares por estudantes em toda Educação Básica durante aulas, recreios e intervalos das aulas, com exceções previstas, como uso pedagógico autorizado. Um ano depois, o Prof. André já percebe mudanças no cotidiano escolar. “A interação entre eles nos intervalos aumentou, e percebemos uma leve melhora na concentração, embora ainda esteja bem abaixo das nossas expectativas”, afirma.

Isso não significa, porém, transformar a tecnologia em inimiga da educação. O levantamento inclusive mostra que 81% dos jovens usuários de internet fizeram pesquisas on-line para realizar trabalhos escolares. Indo além das salas de aula, o Prof. André Pinheiro relata uma experiência em que estudantes utilizaram as plataformas digitais para divulgar uma instituição beneficente e captar recursos. “Isso demonstra que a rede social pode, sim, ser uma grande aliada”, avalia.

Neste Dia dos Professores, o desafio está justamente em encontrar esse equilíbrio. Em uma escola atravessada pela tecnologia, ensinar também passa a significar ajudar o aluno a compreender que o aprendizado exige algo que nem sempre cabe em poucos segundos: tempo, atenção e construção.

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