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Relatório da Portas Abertas mostra alta da violência contra cristãos em 2026

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Aumento da violência religiosa na África chama a atenção na Lista Mundial de Perseguição de 2026 – Imagem: divulgação By Portas Abertas

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Lançada no dia 13 de janeiro pela organização internacional Portas Abertas, a Lista Mundial da Perseguição (LMP) de 2026 traz um alerta: a opressão à fé cristã tem aumentado significativamente em todo o mundo. Estima-se que mais de 388 milhões de cristãos sofram pressão e violência de natureza religiosa, sobretudo em regiões da África, do Oriente Médio, do Sul e do Sudeste asiáticos e da América Latina. Entre os 50 países incluídos na lista, 34 registraram aumento da perseguição ao cristianismo.

Elaborada anualmente pelas Portas Abertas, a LMP se tornou referência para igrejas, organizações missionárias e entidades dedicadas à defesa da liberdade de crença em âmbito global. O levantamento considera indicadores como a existência de leis hostis ao cristianismo, episódios de violência contra grupos e comunidades cristãs, prisões motivadas por confissão religiosa e restrições de direitos a pessoas que professam a fé em Jesus e outras informações obtidas nos próprios países analisados. O estudo detalha, por exemplo, o registro de 4.849 pessoas mortas por causa de sua fé e de cerca de 68 mil que sofreram abusos físicos e mentais. Como há locais sem registro oficial desse tipo de ocorrência, os números reais devem ser ainda maiores.

Lista enumera os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo: quase todos fazem parte da Janela 10/40 – Imagem: divulgação By Portas Abertas

Em relação ao ano passado, a edição de 2026 destaca a inclusão de duas nações no ranking da “perseguição extrema”: a Síria, que passou da 18ª para a sexta posição, e o Mali, que está no 15º lugar. Outro dado relevante é o aumento da presença africana na lista. Ao todo, 14 países do continente estão entre os 50 listados. Sudão, Nigéria e Mali apresentam pontuação máxima em violência, sendo os únicos três países no mundo com esse índice. “Os níveis de violência na África Subsaariana aumentaram drasticamente. Há dez anos, os 12 países subsaarianos que então constavam da lista tinham uma pontuação combinada de violência que representava 49% do índice possível. Em 2026, a pontuação combinada de violência dos 14 países africanos representa 88% da pontuação máxima possível”, informa o comunicado de Portas Abertas.

Fundada na década de 1950 pelo missionário holandês Anne van der Bijl, mais conhecido como Irmão André (1928-2022), que se destacou pelo trabalho evangelístico e social na extinta Cortina de Ferro, a organização Portas Abertas logo se notabilizou pela defesa da liberdade religiosa no mundo.

As dez nações que mais perseguem o cristianismo atualmente são Coreia do Norte, Somália, Iêmen, Sudão, Eritreia, Síria, Nigéria, Paquistão, Líbia e Irã (para ver a lista completa, clique no link ao fim da matéria). A maioria dessas nações está localizada na chamada Janela 10-40, região imaginária entre aquelas latitudes que cobre desde a costa atlântica da África até o Extremo Oriente, onde vivem os povos menos evangelizados da Terra. Chama a atenção, ainda, a presença de países latino-americanas de regime democrático e forte formação cristã, como o México, que ocupa 30º posição, e a Colômbia, em 47ª lugar.

“Precisamos da atenção urgente da comunidade internacional para a questão da perseguição a cristãos no mundo”, adverte o secretário-geral de Portas Abertas no Brasil, Marco Cruz. Entrevistado pelo Ongrace por ocasião da divulgação da LMP, ele enfatiza que o avanço de ideologias extremistas tem influenciado governos a adotar políticas repressivas e intimidatórias contra cristãos: “Caso de ataques a igrejas e propaganda forçada para conversão ao islamismo, por exemplo.”

Marco Cruz, da Portas Abertas, afirma que, apesar da perseguição, cristianismo não está em risco: “Igreja perseguida permanece no caminho do Evangelho” – Imagem: Missão Portas Abertas

Segundo Marco Cruz, em alguns países africanos, a fragilidade estatal, os conflitos civis e a presença de grupos extremistas colaboram para que interpretações radicais passem a reger a vida social. “Isso resulta em massacres, sequestros e deslocamentos em massa de cristãos, como apontam os números da pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2026”, explica. Ele acrescenta que, se, antes, a violência religiosa era predominantemente institucional, o que se observa agora é o aumento da violência direcionada a indivíduos e famílias. “Além disso, há o avanço de milícias (como no caso da América Latina), e o uso de vigilância digital. A pressão pessoal se mostra eficaz para silenciar comunidades sem atrair tanta atenção internacional”, alerta.

Apesar desse cenário, o secretário-geral frisa que o cristianismo não está em risco. “A fé dos nossos irmãos perseguidos não está atrelada à perseguição. Eles, mais do que nós, não veem circunstâncias — olham e caminham para a cruz e permanecem no caminho do Evangelho.” Por isso, Marco Cruz destaca a importância da LMP: “A perseguição cresce em escala e intensidade, tornando-se pauta relevante para igrejas e organizações missionárias que buscam direcionar orações, recursos e estratégias para apoiar cristãos em risco. E a Portas Abertas está com eles, para que permaneçam na fé, sejam luz e deem frutos eternos.” 

Para acessar a lista completa e conhecer particularidades dos países incluídos, clique aqui e confira!

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