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02/08/2026

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Permanece o impasse entre empresas de ônibus e motoristas no Rio

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Mais de 70% do transporte dos cariocas é feito por ônibus: volta da greve dos motoristas não é descartada – imagem: Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-04/apesar-da-greve-trens-e-metro-funcionam-no-rio-de-janeiro )

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Motoristas de ônibus do Rio de Janeiro mantiveram a mobilização salarial após nova rodada de negociações com os empresários do setor, realizada no dia 23 de julho. Mais uma vez, as principais reivindicações da categoria – como reajuste linear de 12% e piso de quatro mil reais, para condutores de veículos convencionais, e de cinco mil reais para os que trabalham no sistema BRT – não tiveram acordo. Assim, permanece o estado de greve iniciado na última semana de junho, que já paralisou grande parte da frota em circulação na capital fluminense.

Na quinta audiência de conciliação, realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o consórcio patronal Rio Ônibus propôs reajuste de 5% nos salários e de 6% na cesta básica, mas a oferta foi rejeitada pelos trabalhadores. O impasse levou a Justiça a estabelecer um prazo de dez dias para que as partes apresentem propostas para o julgamento final do dissídio. O Sindicato dos Rodoviários não descarta a deflagração de outra greve; no entanto, nenhuma das partes nega a possibilidade de que, no decorrer desse período, novas proposições sejam apresentadas e, eventualmente, aceitas, pondo fim à demanda.

Os profissionais têm ainda outras exigências na pauta, como vale-alimentação de mil reais (contra os 600 reais atuais) e implementação de plano de cobertura médica e odontológica para o trabalhador e seus dependentes. Iniciada em 29 de junho, a última greve dos rodoviários teve grande impacto na rotina da cidade e durou três dias. Houve momentos em que mais de 70% da frota – estimada em 3,6 mil coletivos convencionais e 550 ônibus articulados do BRT – não saíram das garagens, sobrecarregando os outros modais e deixando milhões de trabalhadores a pé.

O início da greve coincidiu com o fim do uso de dinheiro em espécie no pagamento das passagens. Desde 28 de junho, somente são aceitos cartões digitais, aplicativos específicos ou PIX, desobrigando os motoristas de receber o pagamento e ainda ter de fazer troco. Cariocas e residentes na Baixada Fluminense que trabalham ou estudam na capital têm grande dependência do transporte rodoviário de passageiros. Embora o Rio seja dotado de malha ferroviária e metroviária, além do serviço regular de barcas na Baía de Guanabara, sete em cada dez passageiros se deslocam a bordo de ônibus na cidade.

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