‘Dinheiro não é tudo’:filme aborda escolhas, fé e propósito

04/10/2026

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04/10/2026

Violência no país aumenta gastos das famílias com segurança

Por André Santiago, do Ongrace

Medo da violência tem levado famílias brasileiras a comprometer parte do orçamento com gastos relacionados à segurança – imagem: Pixabay by Gerd Altmann

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A insegurança pública não acarreta prejuízos apenas para quem é vítima direta de um crime. O medo da violência também provoca impactos no orçamento, no trabalho e até nas escolhas cotidianas das famílias brasileiras. Uma pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e realizada pelo PoderData com 2.411 pessoas em 658 municípios, entre o fim de julho e o início de agosto, mostra que 77% dos entrevistados afirmam que a insegurança gera custos para seus lares.

Nos últimos 12 meses, sete em cada dez brasileiros tiveram algum prejuízo financeiro relacionado à insegurança. Entre os motivos, estão: golpes e fraudes (citados por 35% dos participantes), gastos com proteção residencial e veicular (13%), e a necessidade de utilizar meios de transporte mais caros para evitar situações consideradas de risco (12%). Para uma parcela das famílias, proteger-se significa retirar recursos de outras áreas. Segundo o estudo, 35% das pessoas ouvidas precisaram comprometer dinheiro destinado a despesas básicas, como alimentação. Outras 20% reduziram gastos com saúde, educação ou cuidados familiares, enquanto 14% diminuíram a capacidade de poupar.

O impacto, porém, não termina no orçamento doméstico. O medo também influencia decisões profissionais. Aproximadamente 26% dos entrevistados relataram já ter recusado uma oportunidade de trabalho por causa da falta de segurança, e 23% evitaram trabalhar ou circular em determinados horários. Outros 18% disseram ter perdido clientes, vendas ou negócios.

Até os hábitos de consumo estão sendo modificados. A pesquisa aponta que 38% deixaram de comprar ou utilizar determinados bens por medo da violência, enquanto 24% passaram a evitar alguns comércios e restaurantes. Os resultados mostram uma consequência menos visível da criminalidade: mesmo quando o crime não acontece, o receio de que ele ocorra já é suficiente para limitar escolhas e alterar a rotina.

Nesse cenário, espaços de convivência, entre eles as igrejas, podem exercer um papel importante ao fortalecer vínculos e redes de apoio nas comunidades. Acolhimento, atenção às necessidades locais e iniciativas sociais ajudam a preservar a vida comunitária em lugares onde a insegurança tende a afastar as pessoas. Os números revelam, assim, um custo que, dificilmente, aparece nas estatísticas tradicionais da violência. Quando uma família precisa tirar dinheiro da alimentação, alguém recusa um emprego ou deixa de frequentar determinados lugares, o medo da criminalidade já cobrou o seu preço.

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